25/05/2021

CÓLICA DO BEBÊ: O QUE ESPERAR?

 O QUE ESPERAR DA CÓLICA DO LACTENTE?

Quantas vezes você recebeu no consultório, pais ansiosos e angustiados, por causa de um choro inexplicado do bebê, fazendo-os sentir que o bebê está com dor? Cólica do lactante: o que esperar?

Pois é, o choro ou agitação inaplicada, prolongada e inconsolável gera ansiedade aos pais e é um desafio para o médico.

Estima-se que a prevalência global de cólica infantil seja cerca de 20%.

Por definição a cólica do lactente é o choro por três horas ou mais por dia, durante três ou mais dias por semana, por três ou mais semanas. Porém na dificuldade em esperar por 3 semanas para definir o diagnóstico, e pensando que o corte de 3 horas de choro é arbitrário, em 2016 esse conceito foi revisado e surgiu o critério ROMA IV. Esse critério é definido como: “Criança com menos de cinco meses de idade, com sintomas que começam e param; apresentando períodos recorrentes e prolongados de choro do bebê, agitação ou irritabilidade relatados por cuidadores, que ocorrem sem qualquer causa óbvia e não podem ser evitados ou resolvidos pelos cuidadores; sem nenhuma evidência de deficiência de crescimento, febre ou doença ”. Os critérios ROMA IV abordam o comportamento de choro do bebê que causa angústia nos pais, ao invés de usar a duração do choro para o diagnóstico.

COMO IDENTIFICAR UM QUADRO DE CÓLICAS?

A cólica do lactente geralmente começa entre 2 a 3 semanas de vida, com pico em 6 semanas, podendo se prolongar até o quarto ou quinto mês de idade.

O choro é intenso, sem motivo aparente, que começa e para abruptamente e muitas vezes parece uma expressão de dor.

Os episódios de choro geralmente acontecem à noite. Vem acompanhado de hipertonia, rubor facial, afastamento das pernas em direção ao abdômen e flatulência. Os gases são, provavelmente, resultado da ingestão de ar durante o choro prolongado. 

E POR QUE OS BEBÊS TÊM CÓLICAS?

A causa da cólica infantil ainda é desconhecida, mas é provável que seja multifatorial. Não há provas de que a fonte de desconforto seja o intestino.

Entre as possíveis causas temos as que não são relacionadas ao sistema gastrointestinal e as causas gastrointestinais.

Das causas não gastrointestinais, algumas são:

  • Causas comportamentais alteradas na interação entre pais e filhos,
  • Imaturidade do sistema nervoso central
  • Estresse familiar
  • Tabagismo materno durante a gestação ou após o parto se mostrou como um fator de risco.

Outra teoria, seria a “falta do quarto trimestre”. Sim, de acordo com essa teoria, acredita-se que os bebês nascem muito “cedo”, e eles perdem as sensações agradáveis do útero. E ao completarem 3 meses, momento em que o choro inconsolável melhora na maioria das crianças, mostra que o bebê começou a aceitar o seu ambiente e já consegue interagir mais.

Entre as causas relacionadas ao sistema gastrointestinal, temos:

  • Imaturidade do sistema digestivo, que leva a contração intestinal e cólica.
  • Alteração da flora intestinal, com a diminuição de bactérias como os Lactobacilos e as Bifidobactérias. Já se sabe que há uma diferença entre a flora intestinal entre bebês com e sem cólicas.
  • Intolerância à lactose. Apesar dessa associação ainda não ter sido bem estabelecida, alguns estudos sugerem a relação da cólica infantil à uma deficiência de lactase, levando à uma má absorção da lactose e aumento na produção de gases.
  • Aumento dos receptores de motilina que causa aumento da peristalse intestinal.
  • Alergia à proteína do leite de vaca. Evidências mostram que até 25% dos bebês com sintomas moderados a intensos, apresentam cólica dependente da proteína do leite de vaca.

O fato da criança ser amamentada ou alimentada por fórmula infantil não afeta na incidência de cólicas.

PRECISAMOS DE EXAMES PARA FAZER O DIAGNÓSTICO?

O diagnóstico é clínico e por exclusão. Baseia-se na anamnese e no exame físico completo. Geralmente exames complementares não são necessários, não existindo indicação para realizar de forma rotineira. É preciso analisar o que esperar da cólica do bebê.

SERÁ QUE EXISTE TRATAMENTO?

Os principais objetivos no manejo da cólica são:

  • acalmar a criança
  • garantir que os pais tenham o apoio que precisam para lidar com a situação.

Ainda não há diretrizes estabelecidas para o tratamento da cólica. E não existem fortes evidências sobre as opções de tratamento disponíveis.

Em primeiro lugar, exclua todas as causas de choro excessivo em uma criança. Se o bebê estiver visivelmente doente, o diagnóstico de cólica não é considerado. Em seguida devemos aconselhar e acalmar os pais, dizendo que a cólica infantil é de natureza benigna.

Cólica do lactente: o que esperar?

O aconselhamento adequado inclui explicar o padrão normal de choro dos bebês, encorajar os pais a ganharem confiança, manter o aleitamento materno e ensinar técnicas para acalmar o bebê. Entre as técnicas para tranquilizar o bebê, está a 5S, que consiste em: enrolar a criança, colocá-la de lado no colo, fazer pequenos movimentos oscilantes, deixar que a criança sugue o peito e fazer som de Shhhh. Além dessa técnica vale também: passeio de carro, banho quente, deixar o bebê em contato com a barriga da mãe e massagem.

Se medidas para acalmar o bebê não reduzirem o choro, pode-se partir para um teste de curto prazo com mudanças dietéticas. Essas mudanças incluem:

  • Suplementação com lactase.
  • Suplementação de probióticos, sendo a mais usada
  • Lactobacillus reuteri DSM 17938. – Fórmula infantil hidrolisada ou restrição alimentar da mãe em caso de aleitamento materno.

Alguns estudos mostraram eficácia das práticas acima, porém ainda faltam fortes evidências para que essas medidas passem a ser recomendadas.

E SOBRE MEDICAÇÃO, EXISTE ALGUMA PARA ALIVIAR O QUADRO?

Apesar de muitas vezes observarmos crianças usando simeticona, essa medicação não se mostrou eficaz na redução dos sintomas.

Medicações fitoterápicas aliviam a dor, porém estão associadas a efeitos colaterais e não são indicadas.

Sendo assim, não existe nenhuma recomendação sobre o uso de medicações no tratamento da cólica.

A cólica do lactente é benigna e não causa problemas médicos de curto ou longo prazo. Porém é bastante estressante para os pais e pode estar associada a um aumento do risco de depressão pós-parto em mães, parada precoce da amamentação, sentimentos de culpa, exaustão e até raiva.

Por isso é tão importante acalmar e acolher os pais, já que essa situação os preocupa e estressa.

Além do choro intenso, os pais sentem que a criança está em sofrimento, com dores e desconforto.

FONTE: https://pediatriadescomplicada.com.br/​

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